democraciaAbierta: Opinion

O negacionismo de Bolsonaro aumenta seus problemas com a justiça

Sua gestão catastrófica da Covid-19 e seu posicionamento sobre as vacinas colocam o presidente brasileiro contra a parede

democracia Abierta
13 Dezembro 2021, 12.00
Manifestações pró-Bolsonaro em 7 de setembro de 2021
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Camila Turriani/Alamy Stock Photo

Jair Bolsonaro pretende se reeleger em 2022, mas o caminho não será tão fácil como alguns, pelo menos até recentemente, acreditavam.

Em 3 de dezembro, Bolsonaro virou alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal por afirmar que a cobiçada vacina aumenta o risco de contrair aids. Este é apenas o exemplo mais recente de sua constante desinformação e negacionismo diante da pandemia de Covid-19, que já causou diversos problemas com a lei.

A nova investigação é um balde de água fria que depois de uma série de triunfos políticos de Bolsonaro. Em 30 de novembro, após governar sem partido por mais de dois anos, o presidente anunciou sua filiação ao Partido Liberal (PL), consolidando assim sua candidatura à reeleição em 2022. Em 1º de dezembro, o Senado aprovou seu candidato ao STF e, no dia seguinte, o Senado aprovou a PEC dos precatórios (que foi promulgada pela Câmara na semana passada), uma vitória para o Auxílio Brasil de Bolsonaro.

Mas no dia seguinte, no entanto, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, abriu inquérito contra o presidente por vincular a vacina contra a Covid-19 à aids. Em uma live de 24 de outubro, Bolsonaro afirmou que "uma comparação de relatórios oficiais do governo sugere que os totalmente vacinados estão desenvolvendo a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida muito mais rápido do que o previsto." O vídeo foi retirado do Instagram e do Facebook por violar as políticas das plataformas.

O negacionismo de Bolsonaro se choca com o posicionamento de vários dirigentes de seu novo partido

Moraes afirma que, "Nesse contexto, não há dúvidas de que as condutas noticiadas do Presidente da República, no sentido de propagação de notícias fraudulentas acerca da vacinação contra o Covid-19 utilizam-se do modus operandi de esquemas de divulgação em massa nas redes sociais, revelando-se imprescindível a adoção de medidas que elucidem os fatos investigados, especialmente diante da existência de uma organização criminosa".

Investigações e impunidade

Durante toda a pandemia, Bolsonaro contornou os protocolos de saúde locais e se queixou repetidamente de que as restrições ao controle do vírus fazem mais mal do que bem.

O resultado são as mais de 615 mil vítimas fatais de Covid-19 no Brasil, um total superado apenas pelos Estados Unidos. Da mesma forma, a atual média semanal de mortes de menos de 300 pessoas por dia é em grande parte atribuído às campanhas de vacinação, as quais Bolsonaro sabotou.

No entanto, e apesar de tudo, Bolsonaro permanece inatingível diante da justiça. Desde que assumiu o poder, em janeiro de 2019, Bolsonaro já foi alvo de cinco inquéritos no STF por questões que vão desde interferência política na Polícia Federal, até irregularidades nas negociações de compras de vacinas da Covid-19.

Moraes abriu seu inquérito em resposta a um pedido da CPI da Covid, que em seu relatório final formulou nove acusações contra o presidente, incluindo crimes contra a humanidade por sua gestão catastrófica da pandemia. Em 27 de outubro, a mesma comissão enviou um documento de 1.180 páginas ao procurador-geral, Augusto Aras, que nos últimos dois anos arquivou múltiplas denúncias contra Bolsonaro.

Pesquisas recentes mostram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderando as intenções de votos

Desde que a denúncia foi apresentada a ele, Aras abriu seis investigações preliminares, um progresso morno na esfera judicial diante das graves acusações.

Futuro político incerto

Embora tenha garantido blindagem judicial, Bolsonaro não terá vida fácil nas próximas eleições. Por um lado, seu negacionismo se choca com o posicionamento de vários dirigentes de seu novo partido, como o senador Carlos Portinho, líder do PL no Senado, que pediu a aprovação expressa de um projeto de sua autoria que visa implementar o passaporte nacional de imunização, medida a que Bolsonaro se opõe veementemente.

Seu negacionismo pode custar caro. Pesquisas recentes mostram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderando as intenções de votos e a rejeição ao governo Bolsonaro acima de 50%, apesar de ter diminuído em dezembro em relação ao mês anterior.

Embora os números mostrem o contrário, Bolsonaro continua confiante de que tem os eleitores necessários para ser reeleito. A realidade, porém, é que, independentemente de punição, os inquéritos judiciais continuarão assombrando Bolsonaro durante a campanha, assim como os problemas econômicos gerados pela pandemia que ele se recusou a controlar.

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