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O neoliberalismo está morrendo – agora devemos substitui-lo

Desde domar a Big Tech até competir com a China, o Ocidente está abandonando o livre mercado. Como será o futuro pós-neoliberal?

O neoliberalismo está morrendo – agora devemos substitui-lo
Panfleto de 1983 convocando protestos no Chile contra a política econômica após a crise econômica | Domínio Público
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Será que as políticas de livre mercado que dominaram a elaboração de políticas nos últimos 40 anos estão finalmente de saída? Nos últimos seis meses, o governo conservador do Reino Unido estatizou uma siderúrgica, ameaçou grandes clubes de futebol com transferir sua propriedade a torcedores e tentou bloquear a venda da fabricante de chip ARM para um fabricante americano. Essas ações de intervenção estatal mais assertiva não se limitam ao Reino Unido.

Na Europa, a União Europeia está em processo de revisão de suas regras de auxílio estatal para permitir maior apoio governamental à indústria, citando a necessidade de enfrentar a concorrência da China. Nos Estados Unidos, o governo Joe Biden não está apenas comprometendo US$ 3,6 trilhões para gastar em saúde e educação – está expandindo os direitos sindicais, aumentando os impostos para os ricos e corporações e vem liderando os esforços para a introdução de um imposto corporativo mínimo global. Nada disso se encaixaria facilmente no manual "neoliberal" das décadas anteriores, quando políticas anti-sindicais, de corte de impostos e de mercado dominaram a lógica governamental.

O debate sobre o futuro do neoliberalismo não é novo e foi reacendido desde que a pandemia de Covid-19 desestabilizou as economias em todo o mundo. Mas isso não é apenas uma questão acadêmica: se pensamos que o neoliberalismo está morto, morrendo ou respirando por aparelhos, isso tem consequências estratégicas para a atividade política. Se o neoliberalismo – ou seja, a forma como o capitalismo tem sido administrado nas últimas três décadas (e em algumas partes do mundo, por mais tempo) – está realmente de saída, precisamos estar alertas para as maneiras como o sistema está mudando, e talvez até mesmo atualizar nossos slogans, demandas e estratégias.