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Nicarágua condena centenas de opositores à morte civil

Em sentença disfarçada de libertação, 222 presos políticos foram enviados aos EUA, despojados de sua nacionalidade

Dois policiais em pé diante de frase de protesto contra o regime Ortega-Murillo
"Não têm força contra este povo enorme" - dpa picture alliance/Alamy Stock Photo
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Em uma ação que pegou muitos observadores de surpresa, em 9 de fevereiro de 2023, o regime liderado por Daniel Ortega e sua esposa e vice-presidente Rosario Murillo libertaram 222 presos políticos. Os opositores foram retirados de suas celas e colocados em um avião com destino a Washington DC, nos Estados Unidos.

A ação parece ter sido uma resposta à pressão internacional, cuja intensidade vem aumentando devido ao endurecimento do regime de Ortega-Murillo. Segundo o presidente americano, Joe Biden, o acordo abre uma porta para o diálogo enquanto o Departamento de Estado se mobiliza para facilitar a permanência legal dos opositores no país.

Tecnicamente, os presos políticos não foram libertados, mas desterrados. Cada um foi destituído de sua nacionalidade por meio de documento legal, assim como de todos os seus direitos civis, incluindo suas propriedades no país. Além de terem seus bens expropriados, os presos políticos perderam o direito de concorrer a cargos públicos na Nicarágua.