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O projeto autoritário de Bolsonaro: reflexões sobre a agonizante democracia brasileira

Com a crescente influência de Bolsonaro no Congresso, o legislativo terá dificuldade de exercer controles sobre seu projeto autoritário

Mural de Bolsonaro segurando um cartaz que diz: 'É só uma gripezinha'.
Mural de Bolsonaro segurando um cartaz que diz: 'É só uma gripezinha'.
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Desde o começo da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro minimizou a ameaça representada pelo coronavírus, declarando que se tratava de "uma gripezinha" e até afirmando que não estava preocupado em contrair o vírus por causa de seu "histórico de atleta". Em 2020, Bolsonaro minimizou críticas quando questionado pela imprensa sobre o pico de mortes por coronavírus no Brasil, respondendo: “E daí? Sou Messias, mas não faço milagres.”

Seu ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, publicou no site anti-globalista Metapolitica, um artigo intitulado “Chegou o Comunavírus”, no qual ele declara: “O Coronavírus nos faz despertar novamente para o pesadelo comunista”. Araújo argumenta que “o vírus aparece, de fato, como imensa oportunidade para acelerar o projeto globalista. Este já se vinha executando por meio do climatismo ou alarmismo climático, da ideologia de gênero, do dogmatismo politicamente correto, do imigracionismo, do racialismo ou reorganização da sociedade pelo princípio da raça, do antinacionalismo, do cientificismo.”

Indiscutivelmente, ao dar à pandemia um viés ideológico, o governo Bolsonaro comprometeu a resposta do Brasil à crise. O Brasil tem o segundo maior número de mortes relacionadas ao coronavírus no mundo, com aproximadamente 240 mil mortes, atrás apenas dos Estados Unidos. Crises geram oportunidades sinistras, e a crise do coronavírus no Brasil criou um ambiente político de caos, permitindo que o projeto autoritário de Bolsonaro prospere. Com a pandemia no Brasil se acelerando, os esforços de impeachment terão sucesso neste ambiente político?