Skip to content

Servidores do Ibama expõem absurdos da doutrina militar no combate ao crime ambiental na Amazônia

Soldados treinando esportes durante queimadas criminosas, proibidos de usar roupas corta incêndio sobre farda e ostentação de aparato estragando flagrantes: entenda a ineficiência da GLO da Amazônia

Servidores do Ibama expõem absurdos da doutrina militar no combate ao crime ambiental na Amazônia
Ilustração: Ana Clara Moscatelli/openDemocracy
Published:

Quando os arredores de Tartarugalzinho, no Amapá, pegaram fogo em outubro de 2019, durante a temporada de seca amazônica que elevou a preocupação com a destruição do bioma a um patamar internacional, a equipe de combate às queimadas do Ibama não pôde contar com um efetivo que, já na ocasião, estava destacado exatamente para proteger o meio ambiente: o Exército.

O fogo, de origem criminosa, já quase atingia a área urbana do pequeno município, localizado a 230 km de Macapá, quando os servidores do Ibama solicitaram a ajuda de soldados do quartel local para compor a brigada de combate ao incêndio. Negativo. Eles estavam jogando vôlei. Era a hora de jogar vôlei, então eles tinham que jogar vôlei, até segunda ordem. É o que relata uma servidora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que viveu a situação.

"Foi um dia tão grotesco. A gente com os brigadistas desesperados para o fogo não chegar na cidade e o pessoal do Exército jogando vôlei na praça. Chegou a esse nível", desabafa. A servidora, como a maior parte dos funcionários de órgãos ambientais ouvidos nesta série de reportagens, preferiu não se identificar, então vamos chamá-la de Ana*.