Quando os arredores de Tartarugalzinho, no Amapá, pegaram fogo em outubro de 2019, durante a temporada de seca amazônica que elevou a preocupação com a destruição do bioma a um patamar internacional, a equipe de combate às queimadas do Ibama não pôde contar com um efetivo que, já na ocasião, estava destacado exatamente para proteger o meio ambiente: o Exército.
O fogo, de origem criminosa, já quase atingia a área urbana do pequeno município, localizado a 230 km de Macapá, quando os servidores do Ibama solicitaram a ajuda de soldados do quartel local para compor a brigada de combate ao incêndio. Negativo. Eles estavam jogando vôlei. Era a hora de jogar vôlei, então eles tinham que jogar vôlei, até segunda ordem. É o que relata uma servidora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que viveu a situação.
"Foi um dia tão grotesco. A gente com os brigadistas desesperados para o fogo não chegar na cidade e o pessoal do Exército jogando vôlei na praça. Chegou a esse nível", desabafa. A servidora, como a maior parte dos funcionários de órgãos ambientais ouvidos nesta série de reportagens, preferiu não se identificar, então vamos chamá-la de Ana*.