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5 pontos-chave para entender a situação na fronteira Colômbia-Venezuela

Em 20 de março, Arauca, na fronteira entre os dois países, foi palco de combates e bombardeios.

democracia Abierta
6 Abril 2021, 12.00
Membro das forças bolivarianas na fronteira com a Colômbia
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Alamy

No última 20 de março, Arauca, na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela, foi palco de combates e bombardeios, um cenário semelhante ao de uma guerra aberta.

Crise humanitária

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Crisis humanitaria | Shutterstock

Em uma série de tuítes, o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia pediu à comunidade internacional que a apoiasse no que chamou de "crise humanitária", depois de que mais de 3.100 pessoas tiveram que se deslocar do estado de Apure, na fronteira com o departamento colombiano de Arauca. Um avião venezuelano bombardeou uma área onde acampavam dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), grupo guerrilheiro colombiano com quem o governo de Juan Manuel Santos assinou um acordo de paz em 2016 após quase 50 anos de guerra. Este é um incidente sem precedentes, embora deslocamentos e confrontos nas fronteiras entre a Colômbia e a Venezuela sejam comuns desde a formação de grupos armados ilegais. Além disso, desde que Nicolás Maduro chegou ao poder, mais de 1,7 milhões de venezuelanos migraram para a Colômbia em busca de novas oportunidades de vida.

Zona de guerra

O governo de Nicolás Maduro rejeitou as declarações do Ministério das Relações Exteriores colombiano, argumentando que sua "preocupação" é falsa já que a Colômbia abandonou as fronteiras com a Venezuela, o que "concede um consentimento mais que tácito às ações de vários grupos criminosos que operam na área", de acordo com uma declaração que o governo de Maduro emitiu em 24 de março. Em termos práticos, a fronteira da Venezuela com a Colômbia na região de Alto Apure é uma zona de guerra. Colombianos deslocados de cidades fronteiriças, como La Victoria e El Ripial, têm denunciado roubos de casas por parte de oficiais de segurança, bem como a recente execução de quatro membros de uma família de camponeses.

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Mapa | Wikipedia

Força de Ações Especiais

O governo venezuelano enviou sua força militar na região, incluindo comissões da Força de Ações Especiais (Faes) da Polícia Nacional Bolivariana, órgão de segurança que está sendo responsabilizado pelo assassinato dos membros da família de camponeses. Esta unidade militar acumula um registro de abusos e execuções extrajudiciais que fez com que a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, exortasse o governo de Maduro a dissolver a força policial em 2019.

Os falsos positivos estão de volta

Em uma gravação que se tornou viral, Raiza Remolina, uma sobrinha dos camponeses assassinados, disse a uma jornalista que seus familiares foram levados de sua casa no lado venezuelano da fronteira na quinta-feira, dia 25 de março, quando estavam sendo procurados por supostos guerrilheiros das FARC. Mais tarde, os corpos dos quatro camponeses foram encontrados em um campo próximo, vestidos com uniformes do grupo guerrilheiro colombiano. Isto é consistente com os chamados "falsos positivos" na Colômbia, tática empregada pelo Estado colombiano de vestir corpos de camponeses ou jovens com roupas de guerrilheiros para fazê-los passar por membros de grupos como o ELN ou as FARC. Há um mês, a Jurisdição Especial pela Paz, um órgão judicial criado para investigar crimes cometidos durante a guerra na Colômbia, relatou que existem 6.042 casos comprovados. Ainda há muitos falsos positivos a serem comprovados na Colômbia, uma prática que foi institucionalizada durante o mandato do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez.

Escalada de tensão

O conflito em Apure aumentou em muitos graus a tensão da longa guerra entre a Venezuela e a Colômbia. Somado a esta tensão está o fato de que a Colômbia emitiu recentemente o estatuto de proteção aos migrantes venezuelanos, o que envia um sinal humanitário de acolhida aos venezuelanos do outro lado da fronteira, algo que o governo de Maduro não vê com bons olhos. O confronto político é tal que o chefe de política externa de Maduro, Jorge Arreaza, disse que o presidente colombiano Iván Duque, com o apoio do Comando Sul dos Estados Unidos, "instalou um corredor de atividades ilegais como o tráfico humano, a exploração ilegal de minerais e o tráfico de drogas para financiar a instrumentalização de grupos armados contra a Venezuela".

Estes e outros elementos convergem nesta complexa situação na fronteira, onde incidentes como este poderiam levar a um confronto aberto se a irresponsabilidade dos governantes triunfar e a diplomacia falhar.

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