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A disputa final de Bolsonaro

O risco do Brasil cair em protestos violentos ainda é distante, mas está crescendo. A democracia do país está sendo empurrada para o ponto de inflexão. Español English

A disputa final de Bolsonaro
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, se dirige à jornalistas no Palácio da Alvorada em Brasília, na sexta-feira, 22 de maio de 2020
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O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, enfrenta a principal ameaça ao seu poder até agora. Com o país em vias de se tornar o epicentro global da pandemia de Covid-19, seria possível supor que a espiral de infecção e fatalidade é o que ameaça a sua presidência. Tal suposição, porém, estaria errada. À medida que crescem as críticas a seu desastroso manejo da pandemia, o presidente e vários membros de sua família correm o risco de serem presos por motivos totalmente diferentes.

Mesmo para os padrões brasileiros (um país conhecido por seus escândalos políticos) as supostas infâmias do presidente impressionam. Bolsonaro enfrenta nada menos que 35 pedidos de impeachment e está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal, pela Tribunal Superior Eleitoral e pelo Congresso por supostamente ter cometido mais de 20 crimes diferentes. Seus três filhos também estão sendo investigados por crimes que vão desde lavagem de dinheiro a discursos de ódio e fake news.

Quando Bolsonaro foi eleito no final de 2018, alguns de seus apoiadores da elite esperavam que seus impulsos autoritários fossem domados por seu gabinete, especialmente seu neoliberal ministro da Economia, seu ministro da Justiça que, como juiz, combateu a corrupção, e vários generais conservadores. Caso isso não bastasse, os especialistas estavam convencidos de que o Legislativo e o Judiciário trariam estabilidade ao governo. Essa sorte não existiu. Os membros moderados foram descartados e a polarização se intensificou, envenenando o processo democrático.