A destituição de um procurador independente e respeitado, responsável por dezenas de casos de corrupção no governo, é a última de uma série de tentativas para minar os esforços de combate à impunidade na Guatemala.
No momento em que o país está comemorando o 25º aniversário da assinatura dos acordos de paz que puseram fim a um conflito armado interno de 36 anos que custou mais de 200 mil vidas, as ações das elites políticas e econômicas para sequestrar o sistema de justiça da Guatemala ameaçam cimentar a impunidade. Desta vez, porém, as ameaças levaram a fortes protestos dentro do país e também nos Estados Unidos. Agora a Europa deve seguir o exemplo.
Nova ameaça de anistia
Nas últimas décadas, o apoio internacional à Guatemala e suas organizações da sociedade civil tem alimentado um forte movimento de direitos humanos no país. As organizações de direitos humanos, juntamente com os sobreviventes do conflito armado interno, vêm desempenhando um papel crucial na promoção da justiça por graves violações dos direitos humanos cometidas durante o conflito armado da Guatemala. Um exemplo do papel crucial desempenhado por estas coalizões é o caso do genocídio do povo indígena Ixil contra o ex-ditador Ríos Montt, cuja sentença foi anulada apenas dez dias após o veredicto, demonstrando a dificuldade de acabar com a impunidade na Guatemala.