Um componente vital da política externa de um país é a promoção de assuntos internacionais em nível doméstico, notadamente por valorizar a cooperação e a participação em espaços bilaterais e multilaterais. Mas no Brasil, as atividades da Fundação Alexandre Gusmão, FUNAG, sugerem que o órgão atualmente considera ultrapassada a promoção de tais valores cosmopolitas. O que se pode assumir frente às recentes atividades da FUNAG é, de fato, seu engajamento em defender a sociedade brasileira de uma suposta ameaça comunista.
A FUNAG é uma fundação vinculada ao Ministério das Relações Exteriores e trabalha para formar a opinião pública dos cidadãos em relação à política externa. Desde a eleição de Jair Bolsonaro, esteve evidente que os dois órgãos deveriam colocar-se cegamente alinhados com a ideologia de extrema direita de sua política externa, como o combate ao ‘globalismo’. Mas o que tem sido expresso pelas ações da FUNAG vai além disso.
Diante da decadente credibilidade do Brasil na arena internacional, a FUNAG parece abraçar uma nova missão. Esta não mais compartilha com os cidadãos informações acerca da projeção internacional do país, ou estimula o engajamento popular em temas internacionais. Ao contrário, seu conteúdo apresenta características marcantes do populismo bolsonarista: atingir sua audiência por meio de discursos esdrúxulos, em uma campanha eleitoral contínua. Após décadas da autodeterminada política externa pragmática, o Brasil capenga em uma pró-americanista e política externa eleitoral.