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Americanismo, anticomunismo e antiabortismo: os fundamentos da política externa eleitoral brasileira

As atividades da FUNAG mostram que está mais preocupada em lutar contra uma suposta ameaça comunista do que em promover nossos interesses internacionais.

Protesto contra a ameaça comunista no Brasil
Protesto contra a ameaça comunista no Brasil - Wikimedia Commons. Domínio Público
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Um componente vital da política externa de um país é a promoção de assuntos internacionais em nível doméstico, notadamente por valorizar a cooperação e a participação em espaços bilaterais e multilaterais. Mas no Brasil, as atividades da Fundação Alexandre Gusmão, FUNAG, sugerem que o órgão atualmente considera ultrapassada a promoção de tais valores cosmopolitas. O que se pode assumir frente às recentes atividades da FUNAG é, de fato, seu engajamento em defender a sociedade brasileira de uma suposta ameaça comunista.

A FUNAG é uma fundação vinculada ao Ministério das Relações Exteriores e trabalha para formar a opinião pública dos cidadãos em relação à política externa. Desde a eleição de Jair Bolsonaro, esteve evidente que os dois órgãos deveriam colocar-se cegamente alinhados com a ideologia de extrema direita de sua política externa, como o combate ao ‘globalismo’. Mas o que tem sido expresso pelas ações da FUNAG vai além disso.

Diante da decadente credibilidade do Brasil na arena internacional, a FUNAG parece abraçar uma nova missão. Esta não mais compartilha com os cidadãos informações acerca da projeção internacional do país, ou estimula o engajamento popular em temas internacionais. Ao contrário, seu conteúdo apresenta características marcantes do populismo bolsonarista: atingir sua audiência por meio de discursos esdrúxulos, em uma campanha eleitoral contínua. Após décadas da autodeterminada política externa pragmática, o Brasil capenga em uma pró-americanista e política externa eleitoral.