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Chile elegerá novo presidente em eleições marcadas pela surpresa e descrença política

O esquerdista Gabriel Boric e José Antonio Kast, conhecido como Bolsonaro chileno, lideram as pesquisas das eleições de domingo

Manifestante segurando bandeira em frente do rosto
Manifestante atravessa barricada segurando bandeira mapuche durante protestos contra o governo de Sebastian Piñera, em Santiago, em 4 de novembro de 2021
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Desde que implementou o primeiro projeto neoliberal na década de 1970, o Chile tem se mostrado um laboratório político-social. Em 2021, o país continua sendo um espelho das tendências globais. Depois de rejeitar a política tradicional ao eleger um número impressionante de constituintes independentes para reescrever sua Constituição, os chilenos parecem estar caminhando na mesma direção diante das eleições presidenciais no próximo domingo, 21 de novembro, ao desfavorecer candidatos de centro.

As projeções mostram extrema polarização entre os cidadãos – tendência já consolidada na América Latina. Pesquisas recentes indicam que os dois candidatos que lideram as intenções de voto são Gabriel Boric, ex-líder estudantil da coalizão esquerdista Apruebo Dignidade, que inclui a Frente Ampla e o Partido Comunista, e José Antonio Kast, representante da extrema-direita do Partido Republicano.

Os chilenos irão às urnas pouco mais de uma semana após o Congresso confirmar o impeachment do atual presidente, Sebastián Piñera, motivado pelo surgimento de evidências de suposta corrupção na venda da mina Dominga reveladas pelos chamados Pandora Papers. Na quarta-feira, 17 de novembro, o Senado rejeitou a decisão do Congresso, absolvendo assim o politicamente enfraquecido e impopular presidente.