Esta semana, a Conmebol escolheu um lado. Tanto na quarta-feira (12) quanto na quinta-feira (13), a Confederação Sul-Americana de Futebol demonstrou que, além de incompetente – algo que nós, sul-americanos, já sabemos de longa data –, é também partidária e cúmplice de violações de direitos humanos na Colômbia.
O demonstrou na quarta-feira, quando permitiu que o jogo pela Libertadores entre Junior e River Plate acontecesse em Barranquilla, um dos principais palcos das manifestações que vêm sendo brutalmente reprimidas na Colômbia desde o começo do mês. Já são pelo menos 40 cidadãos mortos pela polícia. Pelo menos 313 vítimas de violência física nas mãos das forças públicas. Pelo menos 1003 detenções arbitrárias. Já são duas semanas de uma greve nacional que não dá sinais de acabar. A Colômbia está em chamas, e essas chamas se espalhavam ao redor do estádio Romelio Martínez, onde os times colombiano e argentino se enfrentavam pela fase de grupos.
As bombas ecoaram através dos alto-falantes da transmissão da Fox Sports. O gás lacrimogêneo invadiu o campo enquanto os atletas tentavam implementar suas estratégias de jogo e esfregar os olhos ao mesmo tempo. Até aí, podemos dizer que a Conmebol foi incompetente, incapaz de tomar a decisão certa em um momento confuso. Não seria a primeira vez que a confederação esportiva organiza um evento e é incapaz de implementar medidas de segurança apropriadas, como vimos em 2018 na final entre River Plate e Boca Juniors, que teve que ser transferida para Madrid em meio a situações de violência em Buenos Aires.