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Despejo dos Hugua Po'i no Paraguai e a criminalização da luta territorial

Embora a ação do governo Abdo não surpreenda, ela viola a Constituição, que reconhece o direito indígena de acesso à terra

Membros da comunidades indígenas caminham em fila
Membros da comunidade indígena Hagua Po'i do Paraguai foram despejados de suas terras em 18 de novembro de 2021
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As imagens da polícia despejando violentamente pelos menos 70 famílias da comunidade indígena Hugua Po'i, do povo Mbya Guaraní, de suas terras ancestrais no leste do Paraguai, na última quinta-feira, 18 de novembro, é a mais recente ilustração da política de despejo que já se tornou a marca registrada do governo do presidente Mario Abdo Benítez.

O governo não mediu esforços – enviou polícia montada e até um helicóptero para retirar os indígenas das terras que ocupam desde 2014 no departamento de Caaguazú, como explica o Última Hora. Os Mbyá Guaraní afirmam que essas são sua suas terras ancestrais, repassadas a colonos na década de 1960.

Como mostra o estudo de 1960 intitulado “América Indígena”, os Mbyá Guaraní têm sua origem em Caaguazú. De fato, os símbolos dessas terras são centrais para a cosmovisão desse povo. Para eles, o centro da terra – ou Yvy Mbuté em sua língua – está localizado em Caaguazú, onde nasceu o pai de todos os guaranis, Pa’í Reté Kuaray, segundo o estudo.