"Implementar políticas que respeitem nossa autonomia e nosso modo de vida." Para Vanda Witoto, destacada liderança da Amazônia brasileira, esse era o objetivo central da 19º edição do Acampamento Terra Livre (ATL).
Na última semana de abril, entre cantos, danças e um apertado programa de compromissos políticos, centenas de grupos indígenas se reuniram em Brasília – no local onde apenas três meses antes da tentativa de insurreição dos partidários de Bolsonaro – para defender esses princípios.
Estima-se que 6 mil pessoas se reuniram no Distrito Federal para o fórum de seis dias, o maior encontro anual de povos indígenas do mundo, segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). Embora a edição do ano passado do ATL – após um hiato de dois anos devido à Covid-19 – tenha servido basicamente um comício pré-campanha em esforços de garantir que o então presidente Jair Bolsonaro fosse deposto nas eleições de outubro, este ano o evento focou no avanço da representação institucional histórica conquistada pelos grupos indígenas do Brasil através do governo incipiente liderado por Luiz Inácio Lula da Silva.