Na América Latina, futebol é rei. Pouco, se nada, une o povo da América do Sul como o culto do esporte em que 11 jogadores definem a vida em 90 minutos. Em 12 de maio, no entanto, essa história mudou. Em meio aos protestos que assolam a Colômbia, se disputou a partida da Copa Libertadores entre Junior, de Barranquilla, e River Plate, de Buenos Aires. Dois minutos depois de começar, Leonardo Ponzio, meio-campista do River, parou com a bola no meio do campo para ouvir, como todos os presentes, uma explosão seguida de uma série de disparos. Minutos depois, gás lacrimogêneo invadiu o campo, a tal ponto que o jogo teve que ser interrompido.
Os barranquilleros, habitantes da cidade onde se realizou o jogo, não ficaram calados: saíram para manifestar o seu descontentamento com a indolência de um jogo que não deveria ter sido disputado, justamente pela complexa situação que o país atravessa. Este episódio é uma metáfora precisa do que está acontecendo na Colômbia hoje: enquanto o povo pede saúde, educação, proteção e igualdade, seus líderes permanecem impassíveis, jogando um jogo sobre uma poça de sangue.
Desde a última vez que o openDemocracy relatou o que estava acontecendo na Colômbia, há exatamente uma semana, as coisas não melhoraram. Os confrontos entre manifestantes e a força pública não param. E o governo continua tentando encontrar uma forma de acabar com a greve, sem sucesso.