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Ereções e eleições no Brasil 2022

A única saída para Bolsonaro parece ser um golpe militar. Talvez por isso encha as barrigas e pênis de generais com dinheiro público

Julie Wark Jean Wyllys
5 Maio 2022, 12.00
Diante dos consistentes resultados ruins nas pesquisas, Bolsonaro parece apostar nas Forças Armadas
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REUTERS/Adriano Machado/Alamy stock photo

O Brasil ocupa o 10º lugar entre 142 países incluídos na Global Firepower Review, tendo poderio militar comparável aos da Grã-Bretanha, Paquistão e Turquia. Mas o país parece estar muito abaixo em outro aspecto do poder patriarcal. O simbolismo fálico de todas as armas do país não é suficiente para acalmar as ansiedades sobre a imagem de masculinidade que os machos-alfa militares criaram para si. A missão é realmente difícil, considerando que seu chefe, o presidente Jair Messias Bolsonaro, estabeleceu um padrão altíssimo com suas frequentes alegações de ser imbrochável e insinuações públicas de cumprimentar sua esposa com ereção matinal.

Se uma lista de compras militar recente serve de base, os militares de alto escalão mostram não medir esforços para estar à altura (impossível evitar trocadilhos ruins diante dessa extravagância). Em abril, veio à luz que, entre 2018 e 2020, o Exército comprou 35 mil comprimidos de Viagra, o equivalente a US$ 546 mil em Botox, próteses penianas infláveis ​​e remédios para calvície, todos pagos com dinheiro público. Mas se ainda assim sua virilidade vacilasse, os militares encontrariam consolo através de 1.184 toneladas de filé mignon, chuleta e salmão, além de uísque, cervejas premium, chantilly e bacalhau, iguarias avaliadas em cerca de U$ 12 milhões, compras realizadas entre fevereiro de 2021 e 2022.

Esse escândalo patético expôs muito mais do que os impulsos sexuais e os sistemas digestivos refinados dos homens que empunham armas, que são os verdadeiros herdeiros de mais de duas décadas de ditadura militar, para quem nenhum crime é sujo demais quando se trata de proteger seus privilégios. Para eles, o movimento "Diretas Já", de 1984, e a Constituição Cidadã de 1988 devem ser apagados e suprimidos por todos os meios possíveis.

Por isso, Bolsonaro restaurou os atos que comemoram o golpe militar de 31 de março de 1964 contra o presidente democraticamente eleito João Goulart, revertendo assim uma decisão de 2011 da então presidente Dilma Rousseff que proibia os militares de celebrar o golpe. Dessa forma, Bolsonaro vem comemorando anualmente a destituição de 4.841 deputados eleitos, a tortura de cerca de 20 mil pessoas (incluindo a própria Dilma) e a morte ou desaparecimento de 434 pessoas, crimes pelos quais ninguém foi responsabilizado.

Mas Bolsonaro não endossa esses crimes apenas através da sua celebração pública da ditadura militar. "Eu defendo a tortura", disse em 2000. Em 1999, Bolsonaro defendeu uma guerra civil. "[O Brasil] só vai mudar, infelizmente, quando um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazer um trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil", afirmou. Em 2016, reforçou um antigo sentimento. "O erro da ditadura foi torturar e não matar", afirmou.

Conexões entre os atuais militares movidos a pênis, etnocídio, ecocídio e outros crimes contra a humanidade remontam à política externa americana

Referindo-se às altas taxas de mortalidade da violência policial no Rio de Janeiro, Bolsonaro insinuou que o ímpeto viril de matar de um policial é a marca de sua coragem: "Policial que não mata não é policial", disse em 2017. Essas declarações e as obsessões fanáticas de Bolsonaro por sexo e masculinidade podem criar uma cortina de fumaça conveniente para cobrir sua flagrante incompetência corrupta, mas isso não é apenas uma aberração exótica brasileira ou de Bolsonaro.

As conexões entre os atuais militares movidos a pênis e o etnocídio, ecocídio e outros crimes contra a humanidade são antigas e remontam ao coração da política externa americana. "Um memorando detalhando uma reunião da Casa Branca em 1º de abril de 1964 (quando ocorria o golpe) também mostra as forças navais e militares dos EUA em posição e prontas para atuar em apoio aos militares brasileiros, com a bênção do presidente Lyndon Johnson e da alta defesa e oficiais de inteligência", como MuckRack relatou em 2018.

Assim, em 1971, as acusações por parte de membros do clero brasileiro de tortura de freiras e padres contra o governo do presidente-general Emílio Garrastazu Médici durante uma visita aos EUA representaram uma mera dor de cabeça de relações públicas, um “potencial constrangimento” para Médici e Richard Nixon. No fim das contas, "relações construtivas são a maneira mais eficaz de influenciar outras nações", como afirma o memorando.

Dessa forma, não surpreende que, em 2017, quando um memorando desclassificado do Departamento de Estado dos EUA mostrou que o presidente Ernesto Geisel (1974 - 1979) deu permissão explícita ao serviço de inteligência brasileiro para continuar sua política de execução de dissidentes, incluindo o jornalista Vladimir Herzog, que foi torturado até a morte em 1975, Bolsonaro gritou fake news, declarando que o documento não passava de uma "campanha coordenada" contra sua candidatura.

Gestão catastrófica da Covid-19

A masculinidade fixada no pênis atingiu seu apogeu letal com a Covid-19, que foi rapidamente identificada como uma excelente oportunidade para colher vitórias políticas e econômicas. Vinte e quatro horas após o Ministério da Saúde começar a tomar medidas preventivas contra a pandemia, em 13 de março de 2020, Bolsonaro já as reescalonava. Em 16 de março, com a desculpa de que a "pandemia transcende a saúde pública", ele colocou o ministério sob o controle da Casa Civil, então chefiada pelo general Walter Braga Netto, que provavelmente será seu candidato a vice-presidente em outubro. Braga Netto é também o responsável pelas compras dos acessórios sexuais masculinos, além das guloseimas gourmet.

Entretanto, os serviços de saúde em todo o país, incapazes de fazer frente à pandemia, também careciam de medicamentos para doenças crónicas, como insulina, por exemplo.

Em seu dicionário, transcender a "saúde pública" significa transcender o público e a saúde em favor de subornos neoliberais, uma vez que Bolsonaro e Braga Netto parecem haver supervisionado acordos multimilionários em compras de vacinas. Com o número de mortos por Covid-19 superando os 664 mil, uma investigação do Senado sobre a gestão inadequada da pandemia produziu fortes indícios de fraude. Entre os citados estão alguns dos principais aliados de Bolsonaro no Congresso e nas Forcas Armadas, que supostamente tentaram comprar vacinas de intermediários como a Precisa Medicamentos, com a qual o filho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, tem laços estreitos.

As evidências também apontam para negociações de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, produzida pela empresa indiana Bharat Biotech, a preços acima dos de mercado. Isso envolveu, entre outras coisas, um pagamento inicial de US$ 45 milhões a uma empresa sediada em Cingapura. Enquanto isso, Roberto Dias, ex-chefe de logística do Ministério da Saúde, supostamente exigiu propinas de US$ 1 por dose de um fornecedor que afirmava ser capaz de fornecer 400 milhões de vacinas da AstraZeneca.

O fornecedor não conseguiu fornecê-las, mas ainda assim conseguiu negociar com as principais autoridades brasileiras de "saúde". E havia outros contratos fraudulentos. Como disse o político da oposição Paulo Pimenta ao The Intercept, “existe uma relação direta entre negacionismo, corrupção e a forma como a pandemia se tornou a maior tragédia sanitária do país e a maior história de corrupção”.

A guerra contra a 'ideologia de gênero'

O problema sexual do imbrochável é parte integral de todas essas mortes. Um dia depois de testar positivo para a Covid-19, Bolsonaro usou um insulto homofóbico para provocar funcionários da presidência que usavam máscaras, que ele disse ser "coisa de viado". Alguns meses depois, ele disse que o Brasil tinha "que deixar de ser um país de maricas". Para o imbrochável, a Covid-19 não passava de uma “gripezinha". Assim, Bolsonaro enviava a dupla mensagem de que os que estavam morrendo já estavam doentes (ou eram "viados"), ao mesmo tempo em que reforçava ao povo brasileiro que LGBTI+fobia é aceitável; que violência e discriminação contra "viado" é normal.

A guerra à “ideologia de gênero” é uma pedra angular da base de poder de Bolsonaro que, em certa medida, explica a extrema masculinidade tóxica de seu regime. Depois de vencer as eleições de 2018, ele não perdeu tempo em dar o tom. Sua campanha se apoiou fortemente na Bíblia, que é "a caixa de ferramenta para consertar o homem e a mulher". A Bíblia é também uma excelente fonte de riqueza material, como logo descobriu o agora ex-ministro da Educação evangélico Milton Ribeiro. O ministro de Bolsonaro foi acusado de garantir que o governo priorizasse municípios cujos pedidos de verbas fossem negociados por pastores, que então recebiam propina, inclusive na forma de barras de ouro.

A guerra à 'ideologia de gênero' é uma pedra angular da base de poder de Bolsonaro, que explica a extrema masculinidade tóxica de seu regime

Segundo denunciaram os prefeitos denunciaram, os pastores os obrigavam comprar a Caixa de Ferramentas Sagrada, estampada com a foto do ministro, em troca de acesso a fundos educacionais. No final, o escândalo das barras de ouro foi mais prejudicial do que as próteses penianas, e Ribeiro foi obrigado a renunciar.

A guerra contra a ideologia de gênero não é apenas uma guerra de palavras, mas uma guerra brutal e sangrenta contra o ativismo de gênero progressista. A ideologia de gênero não é um termo acadêmico ou teórico, mas uma fantasia apresentada como uma conspiração para promover a imoralidade e minar os valores familiares e religiosos. Os inimigos são feministas, gays e trans e todos aqueles que defendem seus direitos. Dessa forma, a “guerra” contra essa chamada ideologia tornou-se uma verdadeira cruzada para políticos pentecostais e evangélicos, uma que justifica todo tipo de violência.

Especialmente desde que o Supremo Tribunal Federal reconheceu legalmente as uniões entre pessoas do mesmo sexo em 2011, o poderoso bloco evangélico no Congresso (203 de 594 membros, de vários partidos políticos) tem buscado sistematicamente minar os direitos sexuais e reprodutivos. Se o grupo não teve muito sucesso em mudar as leis, ele conseguiu se apresentar como o defensor da família e dos valores cristãos, criando um pânico moral entre os eleitores.

Incitar o pânico moral provou ser uma tática bem-sucedida na campanha presidencial de Bolsonaro de 2018, quando ele acusou seu oponente, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad de promover um "kit gay" nas escolas. O que Haddad fez foi uma tentativa de combater a homofobia violenta e a discriminação através de materiais educativos, uma campanha vista pelos evangélicos como um ameaça contra o binário sexual "natural". Tal foi o clamor que a então presidente Dilma Rousseff se viu obrigada a vetar a medida. Em uma entrevista de 2013 com o ator Stephen Fry, Bolsonaro afirmou que "fundamentalistas homossexuais" vinham promovendo um movimento com interesse em transformar crianças em "gays e lésbicas" para “satisfazê-los sexualmente no futuro”.

A bancada evangélica não se satisfez em forçar Dilma a ceder na questão de gênero. A manobra também desempenhou um papel importante no golpe parlamentar de 2016 contra seu governo e seu partido, o PT. "A retórica pública da oposição, empregando a misoginia, o ridículo e os apelos moralistas aos valores tradicionais da família, incitaram a população contra a primeira presidente mulher do Brasil e abriram o caminho para o retorno da política branca, masculina, sexista e autoritária", argumentaram Mariana Prandini Assis e Ana Carolina Ogando para o Al Jazeera em 2018.

No processo de impeachment contra Dilma, Bolsonaro fez um escárnio especial ao usar sua imunidade parlamentar para dedicar seu voto contra ela ao coronel Brilhante Ustra, chefe da unidade de tortura Doi-Codi famoso por seu sadismo e "pavor de Dilma Rousseff". Aqui está um exemplo do comportamento do homem admirado por Bolsonaro: "Amelinha estava nua, sentada na cadeira de dragão, urinada e vomitada, quando viu entrar na sala de tortura seus dois filhos, Janaína de 5 anos, e Edson, 4. Ustra havia mandado buscar as duas crianças porque queria que eles testemunhassem de seus pais".

Como o então deputado Bolsonaro era imune à censura, o escândalo daquela noite recaiu sobre um dos coautores deste artigo, o então deputado Jean Wyllys, que respondeu ao ataque cuspindo em Bolsonaro. No entanto, como aponta Gregorio Duvivier, "muita gente disse que ele errou – a mira. E de fato, parece que o cuspe caiu na cara do então deputado ruralista Luis Carlos Heinze. Ou seja, mesmo errando, acertou. Porque Heinze está na margem de erro de Bolsonaro. E um deputado que defende agrotóxicos não pode reclamar de saliva."

Duvivier não apenas aponta a proximidade de Bolsonaro com as bancadas da bala, do boi e da Bíblia, mas também observa que Wyllys cuspiu em Bolsonaro "em nome da decência" ao mostrar repúdio "à declaração mais indecente que um político poderia fazer em tempos democráticos".

O STF e a Bíblia

Wyllys, político gay, foi forçado a deixar o Brasil em 2019 após receber ameaças de morte, meses após sua amiga, Marielle Franco, ativista dos direitos gays e vereadora do Rio de Janeiro, ser morta a tiros junto com seu motorista, Anderson Gomes, em março de 2018.

Dois dos "agentes estatais" envolvidos no crime têm laços com a família Bolsonaro. Um deles trabalhava no escritório de Flávio Bolsonaro e o outro mora no mesmo condomínio que o presidente, com o qual já foi fotografado em diversos eventos sociais.

A mensagem do governo é clara: mulheres e pessoas LGBTI+ podem ser mortas impunemente

O processo judicial continua inexistente e as famílias de Marielle e Anderson não tiveram acesso às investigações policiais. A mensagem do governo é clara: mulheres e pessoas LGBTI+ podem ser mortas impunemente por promoverem políticas de gênero e justiça sexual.

Mentiras desvairadas alimentam a violência. Assim, apoiadores de Bolsonaro viralizaram fake news no WhatsApp que afirmavam que Haddad distribuia "mamadeiras de piroca" em creches públicas. Promoveram também uma campanha de difamação contra sua companheira de chapa, Manuela D'Avila, retratando-a como ateia que profanava símbolos religiosos.

À primeira vista, as próteses penianas podem parecer não ter relação como o mais alto tribunal de justiça do Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF). Mas a hipermasculinidade de Bolsonaro e seus homens inevitavelmente os coloca em conflito direto com ele, a ponto de sua suposta luta pelos valores familiares (base artificial de poder de Bolsonaro) determinar o destino político do país.

O STF tem sido o principal protetor dos direitos LGBTI+, muitas vezes em oposição ao conservador Congresso, com sua forte bancada evangélica. Esse grupo (que se fosse um partido seria o maior do Congresso) é influente não só como grupo de pressão política, mas também como negociadores de perdão da dívida e concessões fiscais para as igrejas, como proprietários da mídia, especialmente da TV, e beneficiários de financiamento de campanha eleitoral que conseguiram transformar suas igrejas em "currais" eleitorais. Para alguns, o objetivo é nada menos do que a instalação de uma teocracia.

Por exemplo, Damares Alves, a pastora evangélica que foi ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos até recentemente e conhecida por ser contra o aborto e os direitos da comunidade LGBTI+ e defender os "papéis de gênero tradicionais", expressou abertamente, em 2016, que "chegou a nossa hora. É o momento de a igreja ocupar a nação".

Agora, com a nomeação do pastor André Mendonça, os evangélicos garantiram uma cadeira para um de seus apoiadores entre os 11 membros do STF. Outros membros do rebanho, como o pastor Kenner Terra, entendem que isso significa duas coisas.

Em primeiro lugar, que “agora é a hora de impôr retrocessos em questões relacionadas aos direitos dos gays, questões de gênero e políticas sociais. Agora os evangélicos tomaram o poder e essas coisas não terão o mesmo espaço no país," explica. Em segundo lugar, que a separação entre igreja e Estado é agora discutível.

A rápida ascensão dos evangélicos no Brasil, que já representa mais de 30% da população, tem uma relação perversa com o filé mignon e os tônicos capilares dos generais.

Diante do crescente sucateamento das instituições públicas de saúde, educação, habitação e outros serviços sociais, as igrejas evangélicas se tornam cada vez mais fundamentais para as comunidades pobres. Usurpando funções antes desempenhadas por organizações católicas progressistas e grupos de esquerda, as igrejas oferecem aulas de alfabetização, atividades para crianças e até ajuda financeira em alguns casos, tudo dentro de um quadro altamente patriarcal que muitas vezes é imposto por milícias violentas, que também oferecem renda a jovens desempregados. Tudo isso se traduz em votos e mais membros para o rebanho, que estão no comando de sua agenda política.

Diante do crescente sucateamento das instituições públicas, as igrejas evangélicas se tornam cada vez mais fundamentais para comunidades pobres

Enquanto isso, Bolsonaro afirma que o STF cometeu "abusos" quando autorizou investigações sobre alegações de que o presidente fez nomeações policiais para seu ganho pessoal, bem como sobre comícios apoiados por Bolsonaro que clamaram por intervenção militar na política e o fechamento do STF e do Congresso.

Bolsonaro se viu ainda mais encurralado pela decisão do STF de 2021 de anular a condenação de corrupção contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, julgando que o juiz Sergio Moro – que depois se tornou ministro da Justiça de Bolsonaro – havia sido tendencioso. Depois de passar 18 meses na prisão, Lula recuperou seus direitos políticos e poderá concorrer nas eleições deste ano.

Tentações golpistas e eleições

Mais recentemente, Bolsonaro perdoou um aliado político, o deputado Daniel Silveira, um dia depois de ter sido condenado a 8 anos e 9 meses de prisão por tentativa de impedir o livre exercício dos Poderes. Silveira foi investigado após postar um vídeo em que defende a ditadura militar e ameaça os ministros do STF. Lendo o indulto ao vivo, Bolsonaro defendeu seu gesto de perdão, argumentando que a "liberdade de expressão é pilar essencial da sociedade", quando, na verdade, ilustra mais um episódio de uma longa campanha de ataque às instituições democráticas brasileiras.

Lula tem uma vantagem confortável nas pesquisas. Segunda estima uma pesquisa de março, o ex-presidente venceria no primeiro turno por 43% a 29% se as eleições fossem hoje.

Para Bolsonaro, sua única saída parece ser um golpe militar inspirado em Trump. Talvez por isso esteja enchendo as barrigas, couros-cabeludos e pênis de generais com dinheiro público.

Não é nenhuma piada. Observadores de outros países, como José Luis Rodríguez Zapatero, Yanis Varoufakis, Jeremy Corbyn, Fernando Lugo, Caroline Lucas e Adolfo Pérez Esquivel, assinaram uma carta aberta na qual expressam seu alarme diante dos claros sinais, como a parada militar de Bolsonaro em Brasília no último ano e as crescentes pressões de seus aliados no Congresso por mudanças radicais no sistema eleitoral, em preparação para uma "reação" contra o legislativo e o judiciário.

A realidade atual no Brasil é de preços vertiginosos de alimentos e energia, inflação, desastres ambientais, de morte e devastação da Covid-19, aumento da pobreza, violência e fragmentação e vulnerabilidade social.

Na prefeitura do Rio, colegas de Marielle se recusavam a entrar no elevador com a vereadora assumidamente bissexual, nascida na favela, que teve a ousadia de pressionar pela adoção de políticas voltadas ao combate à violência contra a mulher, melhoria de creches, apoio ao trabalhador e melhoraria das instalações e das condições nas favelas, um ativismo que constantemente chamava a atenção para a violência das milícias e do Estado.

A escolha nas eleições deste ano é realmente difícil: entre os valores representados por Marielle Franco e a rapina brutal de Bolsonaro. Se é que os cidadãos poderão escolher diante das tentativas de Bolsonaro de usar seus generais de cabelos de mentira, pênis falsos e barrigas cheias para conseguir o que chama de “valores familiares”.

Não há nada mais humilhante do que ser um perdedor em uma cultura machista, o que torna esse homem que não chega nem a ser medíocre ainda mais perigoso do que sua versão pavão anterior, que já é grande responsável pelas mais de 664 mil mortes por Covid que o Brasil registra.


Uma versão deste artigo foi originalmente publicado em inglês no CounterPunch.

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