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'Meia volta volver. De volta para o quartel': militares estão sem alternativa

Diante do retumbante fracasso do governo, os militares não terão outra alternativa senão voltar às casernas, opina José Luis Fiori

'Meia volta volver. De volta para o quartel': militares estão sem alternativa
O presidente, Jair Bolsonaro, com seu vice, Hamilton Mourão, e o ministro da Defesa, Walter Braga Netto | Ueslei Marcelino/REUTERS/Alamy Stock Photo
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Ao espernear contra a CPI da Covid, que expôs a sujeira dos militares nas negociações de vacinas, a ­cúpula das Forças Armadas busca repetir a façanha do general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, que conseguiu amedrontar o STF e abrir as portas para a ascensão de Bolsonaro, mas o cenário agora é diferente. O gigantesco fracasso do governo, com o qual os fardados se comprometeram visceralmente, afasta a possibilidade de angariar o apoio de setores estratégicos, avalia José Luís Fiori, professor do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da UFRJ e autor de Sobre a Guerra (2018) e A Síndrome de Babel e a Disputa do Poder Global (2020), entre outras obras. “A elite econômica e política conservadora, e mesmo a direita mais tradicional, já desembarcou ou está desembarcando dessa canoa furada”, afirma o cientista político, com pós-doutorado pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Carta Capital: Além da nota intimidatória contra o presidente da CPI da Covid, em reação às revelações sobre militares envolvidos no esquema de corrupção das vacinas, o comandante da Aeronáutica, o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior, afirmou ao jornal O Globo que o texto era apenas um “alerta” e que as Forças Armadas não irão enviar “50 notas para ele (Omar Aziz). Apenas esta”. O senhor acredita que as Forças Armadas estão realmente dispostas a promover uma ruptura institucional no País, mesmo sem o apoio da mídia e dos empresários?

José Luís Fiori: Não conheço o brigadeiro Carlos Almeida Batista Junior, nem jamais havia ouvido falar deste senhor, até o momento da sua entrevista para o Globo, e por isto seria difícil para mim interpretar seu pensamento. Mas presumo que ele não esteja blefando nem fazendo bravata, e que acredite no seu dever e no seu poder de chantagear a CPI do Senado que está investigando a responsabilidade do governo pela catástrofe brasileira do coronavírus. Tentando repetir o blefe do Gal Villas Boas que conseguiu acovardar o STF, e abrir as portas para a pantomima eleitoral do senhor Bolsonaro. Só que agora, no caso do brigadeiro, propondo-se esconder ou engavetar a participação de militares no esquema de corrupção do Ministério da Saúde, que vem sendo revelado pela CPI e pela pesquisa da própria imprensa, apesar de que hoje 70% da população brasileira já tem pleno conhecimento do que passou e está convencida ( segundo a última pesquisa do Datafolha) de que existe corrupção neste governo de militares.