Skip to content

Repressão, incerteza e deriva autoritária na Nicarágua

A escalada da repressão política vem alarmando a comunidade internacional e países vizinhos

Daniel Ortega com as cores da Nicarágua
O governo de Daniel Ortega vem sendo criticado pela comunidade internacioal - Shutterstock
Published:

Após a prisão de um quinto candidato presidencial na Nicarágua, no último fim de semana, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pediu ao presidente Daniel Ortega que parasse com a perseguição a jornalistas e políticos da oposição. Por sua vez, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, apresentou esta terça-feira, 22 de junho, ao Conselho de Direitos Humanos um relatório atualizado sobre a situação na Nicarágua. Menos de cinco meses antes das eleições gerais marcadas para 7 de novembro, Bachelet exigiu a libertação imediata dos opositores detidos, pedido ignorado pelo governo Ortega.

A organização Humans Rights Watch (HRW) visitou recentemente o país e publicou um relatório de 37 páginas em que adverte que a situação atual contém “enormes e provavelmente intransponíveis obstáculos” ao exercício da liberdade de expressão, reunião, associação e direito de voto – visto como um plano elaborado por Ortega e sua rede para eliminar qualquer obstáculo que pudesse se opor à sua reeleição, pela quarta vez consecutiva.

Governos vizinhos, o Parlamento Europeu e a Organização dos Estados Americanos (OEA) também se manifestaram. Embora os governos do México e da Argentina inicialmente tenham se dissociado da OEA, alegando sua intenção de mediar e criando certa confusão diplomática, acabaram por retirar seus embaixadores em Manágua como medida de pressão e protesto. Na semana passada, o governo Biden emitiu sanções contra quatro pessoas, incluindo a filha de Ortega, Camila Ortega.