Para Jair Bolsonaro, e para a bancada ruralista que o apoia, os indígenas da Amazônia sempre foram um estorvo e, agora que está no poder, o presidente brasileiro está implementando sua agenda para tentar liberar a passagem aos interesses extrativistas e do agronegócio.
Mas a identidade dos indígenas se baseia na resistência. Afinal, sua sobrevivência depende disso. Em 25 de agosto, milhares de indígenas se manifestaram frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) para levantar suas vozes contra uma decisão que visa reverter as demarcações de terras em casos em que os indígenas não estivessem fisicamente em suas casas antes de 5 de outubro de 1988, dia em que foi assinada a atual Constituição e em que os povos indígenas se tornaram, pela primeira vez, sujeitos de direitos. O STF deveria ter votado no chamado marco temporal na última quarta-feira, dia 1 de setembro, mas a sessão foi suspensa até o dia 8 deste mês.
A decisão representa uma grande ameaça aos indígenas, uma vez que a comprovação da posse da terra envolve um processo administrativo que não existia necessariamente na época.