Skip to content

O terror literal

A futura proteção da democracia contra o terror literal dependerá de sua punição correta e no tempo das garantias jurídicas

O terror literal
Ovos da serpente ou a repetiçao da história | Jean Wyllys, 2023
Published:

Quando, em 2015, escrevi o breve prefácio para “Como conversar com um fascista”, best-seller da filósofa Marcia Tiburi, esta e eu fomos acusados de “exagerados” e “pouco criteriosos” por políticos, jornalistas e intelectuais.

Como se tratava de uma constatação e um alerta feitos por uma mulher e um gay, nossa leitura da conjuntura foi a princípio desautorizada e ironizada pelo machismo e a homofobia nem sempre inconscientes daqueles que, depois da desgraça consumada (da ascensão política do fascismo no Brasil a partir de 2016) e sem qualquer autocrítica e/ou pedido de desculpas a nós dois, passaram a se referir ao bolsonarismo como um movimento fascista - que é o que ele de fato sempre foi.

Para sorte do país, esses mesmos políticos, jornalistas e intelectuais - amiúde homens heterossexuais e brancos, muitos de direita - não se perderam em seu negacionismo arrogante quando se tratou de nomear os ataques dos bolsonaristas aos palácios dos três poderes da República, em Brasília, no último dia 08 de Janeiro: terrorismo. Sim, terrorismo perpetrado por fascistas de extrema-direita, este pleonasmo.