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A migração venezuelana contada em primeira pessoa

Em 2018, um grupo de voluntários passou a oferecer um caderno aos refugiados que chegam à Colômbia para que escrevam sua história

Migrantes venezuelanos na fronteira da Colômbia
A Venezuela já protagoniza a segunda maior crise migratória da atualidade, atrás apenas da Síria - Francesc Badia i Dalmases
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Compro cabelo! Compro cabelo! Ao cruzarem a fronteira da Colômbia, os migrantes venezuelanos recém chegados são recepcionados pelos sons do anárquico mercado informal. Quando podem pagar as taxas e apresentar as devidas documentações, os venezuelanos chegam pela Ponte Internacional Simón Bolívar. Quando não, atravessam por uma das várias rotas ilegais (trochas), terra de ninguém onde proliferam traficantes, coiotes e exploradores de todos os tipos.

Compro cabelo! Uma jovem venezuelana, trêmula, se aproxima do intermediário e negocia a venda de seus fios por 50 mil pesos colombianos (cerca de US$ 13). Ela acaba de atravessar, acompanhada de sua mãe doente, na esperança de encontrar tratamento deste lado da fronteira, deixando seu belo cabelo e toda a sua vida para trás.

Esta poderia ser uma das 1,7 mil histórias sobre a diáspora venezuelana que a ONG TodoSomos vem coletando ao longo dos 200 km de rodovia que separa Cúcuta de Bucaramanga, uma estrada perigosa que sobe as montanhas verdes e frias do departamento colombiano de Santander Norte. A jovem migrante e sua mãe doente certamente se hospedarão em um dos abrigos ao longo da rota, estabelecidos para fornecer assistência humanitária desde o início da crise. E talvez um dos voluntários de TodoSomos convidará a jovem a escrever sua história em um dos livros que coletam testemunhos de alguns dos 6 mil migrantes que passam a cada semana.