As quatro economias emergentes mais importantes da primeira década do século reuniram-se pela primeira vez em setembro de 2006 para discutir formas de colaborar fora dos confins impostos pelos países dominantes. Em 2009, durante a crise financeira que devastou o Ocidente, Brasil, Rússia, Índia e China oficializaram os BRICs por meio de sua primeira cúpula oficial na Rússia. No ano seguinte, enquanto as grandes potências desenvolvidas ainda tentavam conter o sangramento do crash da bolha imobiliária nos Estados Unidos, o bloco passa a ser conhecido BRICS com a adesão da África do Sul.
Os cinco países aproveitaram os anos em que o mundo desenvolvido se recuperava das consequências de sua própria ganância neoliberal para se impor no cenário internacional por meio da cooperação Sul-Sul. Nesse período, o BRICS surgiu como a promessa de mudança econômica global. Mas isso não aconteceu.
A partir de 2015, os BRICS já davam sinais de debilidade. Em resposta à crise, a China – a economia mais forte do bloco – mudou seu foco da exportação para o consumo interno. Essa transformação estrutural fez com que seu PIB diminuísse, atingindo em 2016 seus níveis mais baixos desde 1990 até então.