Entre 2019 e meados de 2022, o Chile alcançou o status de campeão mundial do movimento antineoliberal. Em apenas três anos, o país experimentou uma violenta convulsão social, mas deu passos ousados que indicavam que tinha as ferramentas e a motivação social para tirar o Chile do ciclo vicioso de desigualdade produzido pelas estruturas erguidas por Augusto Pinochet, mantidas intactas por décadas.
Observadores internacionais chegaram a conjeturar que o Chile, berço do neoliberalismo, também seria seu túmulo. Como resultado dos protestos de que começaram em outubro de 2019, o país deu largada a um processo constitucional complexo liderado por independentes e a esquerda mais progressista.
Mas quando o experimento inovador fracassou, o país foi completamente para o outro lado. Em setembro do ano passado, os chilenos rejeitaram de forma estrondosa a nova Constituição proposta pela Convenção Constitucional eleita pelo povo, abrindo caminho para um movimento radical nunca antes visto no Chile.