Os processos eleitorais programados para 2021 na América Latina testarão a solidez de seus sistemas democráticos. As eleições representam uma forma democrática de canalizar as tensões políticas e sociais que vêm aumentando junto ao profundo impacto econômico da pandemia em curso.
Equador
A conturbada eleição presidencial no Equador inaugurou um intenso ano eleitoral na região. O país precisou de duas semanas após as eleições para definir quem enfrentará Andrés Arauz, o candidato apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa, no segundo turno. Arauz obteve 32% no primeiro turno, mas o banqueiro conservador Guillermo Lasso e o ativista e líder indígena Yaku Pérez ficaram empatados com 19% por semanas. A confusa disputa pela posição que dá passagem ao segundo turno confunde os eleitores e planta a noção de fraude eleitoral em suas mentes, uma crescente ameaça global que mina a legitimidade dos resultados.
A autoridade da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) vem sendo questionada, o que gera um crise constitucional. Com Lasso, candidato de direita, passando ao segundo turno, as chances de vitória de Arauz aumentam fortemente. A presença de Pérez, candidato do movimento indígena que teve a luta contra o extrativismo como pilar da sua campanha, no segundo turno não favorecia nem o correísta nem o anticorreísta.