Crianças de ambos os lados da fronteira EUA-México ajudam a traficar pessoas e drogas para os Estados Unidos. Para a maioria deles, a atividade é um trabalho ocasional que fazem ao lado de muitos outros. Esses mesmos adolescentes vendem produtos em mercados, limpam mesas em restaurantes, são aprendizes em oficinas e trabalham em canteiros de obras.
Esses jovens traficantes ingressam nesse mundo pelo mesmo motivo que os leva a realizar outros trabalhos: precisam de dinheiro, mas não têm oportunidades para ganhá-lo. Eles são pobres. Moram em partes distantes da cidade onde o transporte público é escasso. Enfrentam estigma devido à sua sua condição social e à cor de sua pele. No geral, abandonaram ou foram expulsos da escola. Essas características restringem suas opções de emprego. Eles sabem que o tráfico é ilegal, mas oferece uma das poucas maneiras pelas quais os jovens marginalizados podem efetivamente converter seu conhecimento em lucro na região da fronteira. Seus ganhos, embora limitados, beneficiam suas famílias. Assim, para eles, o tráfico é uma forma de trabalho legítima, embora criminalizada.
Também é um trabalho perigoso. Os adolescentes podem se perder no deserto ou se afogar no Rio Grande. Podem ser atacados por animais ou apreendidos pelas autoridades de imigração dos EUA. No entanto, algumas das violências mais graves que enfrentam vem de dentro: de outros adolescentes envolvidos no tráfico de pessoas e drogas. Apesar das histórias de cartéis indomáveis que operam nas fronteiras, os testemunhos das crianças da fronteira deixam claro que aqueles que as recrutam como guias, aviõezinhos e vigias geralmente não passam de grupos organizados de jovens como eles. Alguns são até recrutados como executores e ganham a vida punindo outros. A violência entre os homens jovens neste cenário tornou-se normalizada. Até certo ponto, é até esperado.